Numa sociedade separada por classes, a dos possuidores e a dos possuídos, aquele cujo drama existencial o leva a seguidas frustrações, porque seu destino de fato está contido numa relação econômica, entrega-se, pela lei do menor esforço, a uma paixão. E o que é a paixão senão o ócio da razão, sua preguiça?
A razão requer uso e nos desgasta, é ativa demais, tem sempre que operar idéias, arquitetar, trabalhar, elaborar projetos, reconhecer fundos políticos em conflitos pessoais e isso é por demais fatigante... O homenzinho frustrado, então, resgatando de mau jeito seu projeto social, entrega-se à mais unificadora das paixões, o
ÓDIO. Odiar é o caminho mais unificador e fácil que há, é o caminho dos preguiçosos históricos. Para odiar, basta um grupo, uma idéia tola, um adjetivo qualquer e temos um "nós" e "os outros", voilá, tudo resolvido! "Você aí que tem nariz grande, você deve morrer, você é um judeuzinho filhadaputa! ", "Ah... você tem pele escura, é um negrinho de merda, não merece viver, " ah, gosta de homens, vai morrer, seu viado!"
Sempre que se flagra a fuga torta a fim de não solucionar problemas com nossos recursos racionais inatos, encontramos esses arremedos de pensamento, essas bisonhices com o intuito de forjar uma espécie de "solidariedade" artificial a todo custo _ os
neonazis estão aí, e esse filme, que se passa na Inglaterra de Tatcher, na época da brancaleônica "Guerra das Malvinas" , sem estetizar a violência costumeira desses debilóides, ilustra com maestria o que coloquei acima. Excelente filme, por sinal.
(P.S. Sempre que houver oscilação na rede o arquivo pode se corromper, depois tem que baixar novamente e testar)